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Previdência e sustentabilidade

Postado por Espedirião Amin em 1 de janeiro de 2016 às 7:30 pm

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A questão referente à sustentabilidade de sistemas previdenciários atormenta governos, partidos políticos e as pessoas como um todo, no mundo inteiro.

Trata-se do maior e mais eficaz desmistificador de ideologias populistas.

Idade mínima para aposentar-se e porcentual de contribuição do trabalhador e do empregador são itens que resumem as controvérsias que se escondem sob o assustador manto dos cálculos atuariais.

Da recente leitura do excelente livro “Uma Breve História da Humanidade”, de Yuval Noah Harari, em sua página 266, extraio uma interessante narrativa:

“Em 1744, dois clérigos presbiterianos da Escócia, Alexander Webster e Robert Wallace, decidiram criar um fundo de seguro de vida que pagaria pensões a viúvas e órfãos filhos de pastores falecidos. Eles propunham que cada um dos pastores de sua igreja dedicasse uma pequena parte de sua renda para o fundo, que investiria o dinheiro. Se um pastor morresse, sua esposa receberia dividendos sobre os lucros do fundo. Isso lhe permitiria viver confortavelmente pelo resto da vida. Porém, para determinar quanto os pastores tinham de pagar a fim de que o fundo tivesse dinheiro suficiente para honrar suas obrigações, Webster e Wallace precisavam ser capazes de prever quantos pastores morreriam a cada ano, quantas viúvas e órfãos eles deixariam e quantos anos as viúvas viveriam a mais do que os maridos”.

Sendo religiosos, poderiam ter recorrido a orações ou a profecias. Em vez disso, sendo escoceses, e por isso pragmáticos, procuraram um professor de matemática da Universidade de Edimburgo, Colin Maclaurin. Daí partiram para a busca de tábuas atuariais elaboradas por Edmond Halley (o “padrinho” do famoso cometa) a partir de estudos do professor alemão Caspar Neumann, feitos em Breslau, Alemanha.

Após essas incursões absolutamente “laicas”, Webster e Wallace o que veio a ser o Fundo de pensão para Viúvas e Filhos dos Pastores da Igreja da Escócia. Em 1765, vinte e um anos depois, o Fundo tinha um capital de 58.347 líbras, uma libra (apenas uma!) menos do que eles previram! Hoje o Fundo, conhecido como Scottish Widows, é uma das maiores empresas de seguros e pensões do mundo, com ativos da ordem de 100 bilhões de libras, ou 500 bilhões de reais!

Ao longo desses 250 anos, vivemos uma revolução demográfica e transformações sociais extraordinárias. Mesmo assim, pode-se constatar que os pastores Webster e Wallace nos deixaram uma lição de razoável sustentabilidade, especialmente porque não foram buscar na religião, na superstição, na ideologia ou na fé os fundamentos para a previdência!

Avalio que essa breve visão da história é útil para as nossas reflexões.

Esperidião Amin, em 30/12/2015

Como você avalia esta ação do Deputado?

Comentários
Terezinha comentou em: 05/01/2016 13:01:00
As transformações sociais deste último século e as que virão, mudam os seres humanos , suas aspirações, desejos de conforto e compulsão para o consumo. Como incorporar novos padrões de vida, dinâmicos, nos cálculos previdenciários? Boa administração dos fundos serão suficientes? Adotar critérios como os criados pelos americanos ,Manage Care, são suficientes ? Discussão oportuna e interessante.
José Antonio Wengerkiewicz (Tite) comentou em: 04/01/2016 22:03:10
Mais uma vez nos dando base corretas de informações. Parabéns Deputado Amin, continue sempre assim. Espero que logo volte ao Executivo de nosso Estado de SC. Forte Abraço.

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